O ex-presidente da Unimed Cuiabá, Rubens de Oliveira Júnior, foi preso na manhã desta quarta-feira (30) pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Bilanz, que investiga um desfalque de cerca de R$ 400 milhões na cooperativa. A PF já confirmou a prisão de seis pessoas envolvidas na operação. Entre os detidos estão também Ana Paula Perizotto e Eroaldo Oliveira, ex-executivos da cooperativa, que já se encontram na sede da PF em Cuiabá prestando depoimento ao delegado Daniel Rocha.
Rubens de Oliveira Júnior e os outros suspeitos estão sendo investigados por práticas ilícitas que teriam causado grande impacto na saúde financeira da Unimed Cuiabá. Segundo a PF e o Ministério Público Federal (MPF), a gestão anterior ocultou um déficit significativo no balanço patrimonial de 2022, apresentando documentos que mascaravam a situação financeira da entidade à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Alvos
A operação, realizada pela PF em conjunto com o MPF, cumpriu mandados de busca e apreensão e também determinou o sequestro de bens e o afastamento dos sigilos financeiro, fiscal e telemático dos investigados. Os crimes apurados incluem falsidade ideológica, estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Entre os detidos estão: Rubens de Oliveira Júnior, ex-presidente da Unimed Cuiabá; Eroaldo Oliveira, economista e primeiro CEO da cooperativa e Ana Paula Perizotto, ex-superintendente administrativo-financeira da instituição.
Além das detenções, o MPF e a PF estão investigando outros ex-administradores e representantes da cooperativa, cujos nomes ainda não foram divulgados oficialmente.
Rombo bilionário
A Unimed Cuiabá, que atende cerca de 220 mil usuários e possui 60% de participação no mercado de saúde suplementar de Mato Grosso, identificou o déficit de R$ 400 milhões após a eleição de Carlos Bouret, novo presidente da cooperativa, em março de 2023. O balanço atualizado, realizado pela auditoria PP&C Auditores Independentes, revelou que o prejuízo foi drasticamente maior do que os R$ 371,8 mil positivos reportados pela administração anterior.
Entre as irregularidades destacadas está o investimento de R$ 95 milhões na construção de um hospital e um centro de cuidados terapêuticos que não foram concluídos conforme previsto. Segundo o relatório de auditoria, a má gestão financeira e administrativa comprometeu seriamente a estrutura econômica da cooperativa.
Em uma declaração conjunta, a PF e o MPF informaram que “as autoridades manterão o público informado sobre os desdobramentos da operação, respeitando os limites legais de divulgação”.
Histórico
As investigações que culminaram na operação de hoje começaram após uma Assembleia Geral Extraordinária, realizada em junho, em que cooperados tomaram ciência das irregularidades na gestão anterior. As revelações levantaram preocupações sobre a viabilidade financeira e administrativa da cooperativa, gerando forte impacto entre os cooperados e usuários da Unimed Cuiabá.





















