O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, nesta quarta-feira (30), ex-diretores e funcionários da Unimed Cuiabá por fraudes contábeis que teriam gerado um prejuízo de aproximadamente R$ 400 milhões à cooperativa. Como parte da operação, a Polícia Federal prendeu seis pessoas, entre elas o ex-presidente da instituição, médico Rubens de Oliveira.
Segundo o MPF, a denúncia foi aceita pela Justiça Federal, que investiga os envolvidos desde 25 de agosto deste ano. Os acusados enfrentam, entre outras acusações, sete crimes de falsidade ideológica. Além de Rubens de Oliveira, entre os presos estão o ex-CEO da cooperativa, Eroaldo Oliveira, e Ana Paula Perizotto, superintendente administrativo-financeira da instituição à época das fraudes. Outras três pessoas também foram detidas: Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma, que ocupava a diretoria administrativo-financeira; Jaqueline Proença Larrea, chefe do departamento jurídico; e Tatiana Gracielle Bassan Leite, responsável pelo Núcleo de Monitoramento de Normas.
A investigação, que ainda está em andamento, identificou práticas irregulares na gestão financeira e administrativa da Unimed Cuiabá, incluindo manipulação de documentos contábeis apresentados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com o MPF, os investigados ocultaram um déficit de cerca de R$ 400 milhões no balanço financeiro da cooperativa em 2022. A Polícia Federal e o MPF investigam os envolvidos pelos crimes de falsidade ideológica, estelionato, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Além das prisões, o MPF solicitou mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos telemático, financeiro e fiscal dos acusados, além do sequestro de bens dos envolvidos.
Investigação
A Unimed Cuiabá, que é a maior operadora de saúde suplementar de Mato Grosso com cerca de 220 mil usuários e uma participação de mercado de 60%, passou por uma mudança significativa em março de 2023. Nessa data, o médico urologista Carlos Bouret foi eleito pelos cooperados para assumir a presidência da instituição, sucedendo Rubens de Oliveira. A nova gestão logo identificou anomalias financeiras, reveladas por uma auditoria independente da PP&C Auditores, que estimou uma perda de R$ 400 milhões no balanço fiscal de 2022 – muito diferente dos R$ 371,8 mil positivos reportados pela antiga administração.
Entre as irregularidades, destacam-se investimentos elevados e não concluídos em dois empreendimentos: a construção de um hospital próprio e um centro de cuidados terapêuticos, que juntos custaram R$ 95 milhões. Esses projetos, porém, ainda não foram entregues na sua totalidade.






















