A força política do ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL), embora muitos apoiadores de Janaína Riva (MDB) e Mauro Mendes (UB) terem defendido, nos últimos meses, que estava em decadência, foi novamente reconhecida pelos dois grupos políticos diante do crescimento estrondoso do nome de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Segundo a mais recente amostragem da Quaest,talvez a mais respeitada do segmento, o filho 01 de Bolsonaro encurtou a diferença para Lula (PT), em eventual segundo turno, de 10 pontos percentuais, marcada em dezembro, para apenas cinco, nos dias atuais. Agregando na análise a margem de erro, a eleição se mostra totalmente aberta e já reflete em Mato Grosso.
Janaína Riva (MDB) e Mauro Mendes (UB), apontados como os favoritos na disputa pelo Senado Federal, depois de longos meses sem sequer falar de Bolsonaro, voltaram a fazer aceno ao eleitorado do capitão da direita, que em Mato Grosso tem mostrado força majoritária, nos últimos pleitos.
Após um momento inicial de revolta, já que seu presidente dos sonhos era Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS), com quem tem relacionamento estreito por intermediação de Cidinho Santos, Mendes passou a considerar a consolidação de Flávio e, nas últimas horas, já passou até a exaltá-lo.
“Ele (Flávio) tem os seus predicados e uma grande representatividade herdada pelo legado de Jair Messias Bolsonaro. Vai ser um forte candidato nesse processo”, citou o governador, que acumulou polêmica nos últimos meses ao atacar os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, quando ambos se mexiam para tentar defender o pai.
Histórico conflituoso
Após Carlos criticar o movimento antecipado de governadores para estruturar um projeto presidencial, em busca de aproveitar a lacuna aberta pela então iminente prisão do pai e ignorando as perseguições políticas ao líder da direita e aos presos do 8 de janeiro, Mendes abriu a metralhadora verbal contra o filho do ex-presidente.
“Ele (Carlos) deve estar se sentindo ferido, magoado (referindo-se à prisão de Bolsonaro) e falando aquilo pela boca que deveria sair por outro lugar”, atacou Mauro, que voltou a se irritar com outro herdeiro de Jair, desta vez Eduardo, quando o mesmo avaliou que Tarcísio não representaria um nome da direita no comando do país, mas sim um representante do ‘sistema’, o que agradaria até mesmo Alexandre de Moraes.
Mendes chamou Eduardo de ‘louco’ e novamente usou de termos agressivos para contrapor. “Ele está perdendo tempo de ficar calado, está falando merda lá dos Estados Unidos”, disse à imprensa.
Janaína e a busca pela ‘direita’
Já Janaína Riva (MDB) voltou a dar vazão na narrativa de que o seu partido, o MDB, adota uma postura de regionalizar entendimentos políticos pelo país e permitir que seus membros adotem posturas independentes, ressaltando que até por isso, em 2022, mesmo com o projeto presidencial de Simone Tebet (MDB), apoiou Jair Bolsonaro (PL) ao cargo máximo do país, embora isso tenha ficado mais explícito no segundo turno, quando o mesmo disputou diretamente com Lula (PT).
O histórico da deputada e provável postulante ao Senado Federal, contudo, a afasta da base ideológica do bolsonarismo, que ressalta sua participação como madrinha da “Parada Gay” em Mato Grosso por vários anos, bem como na defesa de bandeiras feministas, que habilidosamente Riva canalizou para uma ação mais ampla e focada no combate à violência contra a mulher, de olho em driblar o contexto de direita e esquerda para trazer votos por representação de gênero.
“Nós já deliberamos com os deputados, porque eu também não posso decidir sozinha, senão eu caminho com o partido todo rachado, que o partido deve caminhar com a direita”, ressaltou a deputada ao Roda de Entrevista, da TV Mais News, em entrevista veiculada nesta semana. O movimento da líder emedebista, contudo, que visa se abrigar na chapa do sogro, o pré-candidato ao Governo do Estado pelo PL, Wellington Fagundes, é publicamente criticado por lideranças conservadoras como o prefeito da capital, Abílio Brunini (PL).
Para Abílio, o Senado Federal é estratégico para a direita, conforme já ressaltou o próprio Jair Bolsonaro, como instrumento de fazer frente aos excessos da Suprema Corte. Diante disso, o gestor da capital ressalta que não é hora do eleitor bolsonaristas apostar em ‘novos Fávaros’, fazendo referência ao atual ministro do PSD e senador eleito em 2020, que ganhou o pleito prometendo fidelidade ao público direitista, mas se rendeu a Lula e ao PT.
“No Mato Grosso a família Riva, Bezerra e lideres do MDB tem posicionamento de centro-esquerda. Se Janaina é de direita, sai do partido”, citou Abílio, cabo eleitoral do projeto ao Senado Federal de José Medeiros, atual deputado federal e nome do PL ao projeto. O veterano cacique emedebista citado por Brunini, aliás, ‘comemorou’, em contato com a imprensa, a prisão de Bolsonaro, durante uma visita à sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em novembro de 2025.
A expectativa da militância bolsonarista fica por conta de uma vinda de Flávio ao estado para uma conversa direta com o eleitor mato-grossense. A tendência natural é que ele anuncie apoio absoluto à pré-candidatura de Medeiros ao Senado Federal, mesmo porque a mesma tem o crivo direto do pai.
Fonte: Minuto MT




















