Servidores públicos estaduais intensificaram, nesta quarta-feira (21), a mobilização política e sindical para pressionar o Governo de Mato Grosso a avançar na discussão sobre o pagamento do passivo da Revisão Geral Anual (RGA). A articulação ocorre em meio à tramitação, na Assembleia Legislativa (ALMT), do projeto do Executivo que prevê apenas 4,26% de reajuste, índice referente à inflação mais recente, sem contemplar as perdas acumuladas de anos anteriores.
As entidades representativas do funcionalismo afirmam que os salários acumulam uma defasagem que chega a aproximadamente 19%, resultado de revisões que deixaram de ser aplicadas integralmente ao longo dos últimos anos. Diante desse cenário, os servidores defendem que o governo apresente uma proposta que vá além do reajuste anual e estabeleça um plano para quitar o passivo salarial.
A RGA é um direito constitucional destinado à recomposição do poder de compra dos servidores, mas, segundo sindicatos, o percentual de 4,26% enviado pelo Executivo não atende à necessidade de correção das perdas históricas. Para as categorias, a medida representa apenas uma reposição parcial e não resolve o desequilíbrio acumulado nos vencimentos.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa, lideranças sindicais têm intensificado o diálogo com deputados estaduais para ampliar o debate e buscar alternativas que viabilizem o pagamento do passivo. Entre as possibilidades discutidas estão a vinculação de receitas extraordinárias ou a construção de um cronograma escalonado, que permita a recomposição gradual sem comprometer o orçamento estadual.
Parlamentares que acompanham o tema avaliam que a pressão tende a aumentar nas próximas semanas, com a retomada plena dos trabalhos legislativos. Há o entendimento de que a discussão não se limita ao índice anual, mas envolve o reconhecimento de uma dívida histórica com o funcionalismo público.
Por outro lado, o governo mantém uma postura cautelosa e sustenta que qualquer avanço depende de estudos técnicos, disponibilidade financeira e respeito aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Ainda assim, representantes dos servidores avaliam que o atual momento fiscal do Estado permite a abertura de uma negociação mais concreta.
A mobilização deve continuar com atos, reuniões e presença constante dos servidores na ALMT. A expectativa das categorias é que o debate sobre a RGA deixe de ser apenas uma pauta recorrente e avance para uma solução efetiva que contemple a recomposição salarial acumulada.




















