O custo da cesta básica em Cuiabá atingiu R$ 810,28 na última semana de fevereiro, representando um aumento de 1,81% em relação à semana anterior e 5,06% superior ao mesmo período do ano passado. Este é o maior valor registrado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) neste ano.
Com o aumento contínuo dos preços dos alimentos básicos, muitas famílias em situação de vulnerabilidade social recorrem à chamada “fila dos ossinhos” para garantir alguma proteína em suas refeições. Essa prática, que consiste na doação de ossos com restos de carne por uma açougue, já ocorre há mais de uma década em Cuiabá.
Em agosto de 2024, durante visita a Mato Grosso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretendia tornar a “fila do ossinho” uma coisa do passado. Na ocasião, Lula destacou a necessidade de eliminar cenas como a da “fila do ossinho” e enfatizou o compromisso de seu governo em combater a fome e a pobreza no país.
Contudo, quase um ano após essa declaração, a realidade permanece inalterada. As filas não apenas persistem, mas também cresceram, evidenciando que o problema da fome e da insegurança alimentar continua sem solução eficaz.
O governo federal até lançou iniciativas como a Política Nacional de Abastecimento Alimentar e o programa “Arroz da Gente”, com o objetivo de garantir a segurança alimentar. Entretanto, os efeitos dessas políticas ainda não surtiram efeitos nas comunidades mais afetadas pela fome.
Enquanto isso, a população de baixa renda continua sofrendo com a alta dos preços dos alimentos, o desemprego e a falta de assistência social eficaz. Programas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo foram apontados pelo governo como soluções, mas, na prática, muitos brasileiros ainda recorrem a doações de ossos para sobreviver.

Pobreza em números
A fila do ossinho ganhou notoriedade nacional em 2021, quando veículos de comunicação destacaram a crise financeira agravada pela pandemia e a crescente taxa de desemprego em Cuiabá. Naquele período, o caso foi politizado, e o governo Bolsonaro foi apontado como responsável por essa situação.
Passados quatro anos desses acontecimentos e com a mudança de governo, dados do Laboratório de Visualização e Georreferenciamento de Dados do Sistema Único de Assistência Social (GeoSUAS-MT), da Secretaria Estadual de Assistência Social e Cidadania (Setasc), indicam que atualmente 119.805 famílias estão em situação de vulnerabilidade social em Cuiabá. Em 2021, quando o caso ganhou destaque nacional, 92 mil famílias estavam cadastradas no Programa de Assistência Social do Governo Federal, o Cadastro Único (CadÚnico).
Naquele período, 14.241 famílias estavam em situação de pobreza, representando 13,1% da população. Agora, o GeoSUAS-MT aponta que há 38.671 famílias nessa condição na capital, o que corresponde a 32,3% das famílias cuiabanas.
A persistência da “fila do ossinho” em Cuiabá expõe o abismo entre as promessas governamentais e a realidade vivida pelos brasileiros mais pobres. É urgente que o governo federal implemente ações concretas e eficazes para combater a fome e garantir a dignidade da população.


















