A manhã desta quinta-feira (04) marca o retorno dos vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (ex-PSB) à Câmara de Cuiabá, após quatro meses de afastamento por pedido da Polícia Civil, durante as investigações da Operação Perfídia. Os parlamentares foram afastados por um suposto recebimento de propina em troca da aprovação de um projeto de lei, além da liberação de recursos para as obras do Contorno Leste.
A denúncia foi apresentada ao prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), por meio do ex-funcionário da empresa responsável pelas obras, João Jorge Catalan. Em seu retorno, o vereador Sargento Joelson afirmou estar mais forte e que não guarda remorsos contra os denunciantes.
“Apesar de tudo que aconteceu e do ego ferido, eu sou Joelson desde sempre. Hoje, sou, há nove anos, Sargento Joelson. Toda a minha história não foi levada em consideração em nada. Uma pessoa juntou várias conversas, e eu espero que juntem tudo e vejam quem está mentindo. Se a ideia era me matar, me fortaleceu. Hoje, estou muito mais forte do que quando saí daqui”, afirmou.
À imprensa, Joelson comentou sobre o inquérito e reforçou que só quer a verdade dos fatos. “É uma situação complicada. Infelizmente, a pessoa que fez a denúncia, para tentar se salvar de outros processos, abriu um novo processo contra nós. Forjou as conversas — que eram mais de 500 —, separou oito prints específicos e apenas dois estão no inquérito. A nossa principal defesa é que ele mostre as conversas no celular dele, porque o meu já está, desde o início, apreendido. Aliás, a única coisa que foi apreendida foi o meu celular. Eu espero que comprovem e que mostrem a verdade”, disse.
Em sua fala na tribuna, o parlamentar Chico 2000 chamou o denunciante de “canalha” e, em entrevista, explicou o porquê. “Chamei, e vou chamá-lo novamente de canalha, porque uma pessoa que apresenta uma denúncia com base em documentos e prints forjados, uma pessoa que tem a ‘capivara’ que tem e responde por todos os tipos de processo criminal… É muita covardia. Os motivos que o levaram a agir assim eu não sei quais foram. E, se colocarem ele aqui me pedindo para identificá-lo, eu não vou saber quem é”, destacou.
Sobre uma possível abertura de Comissão Processante na Câmara, Chico afirmou: “Não tenho medo. Eu aprendi que ‘quem não deve, não treme’. Se a Câmara entender que deve fazer a Comissão Processante, que ela faça! Eu só quero ter o direito ao contraditório sempre que necessário. É uma decisão dos outros 26 vereadores. Assim como eu não pedi para nenhum deles votarem naquela mensagem do Executivo, eu também não vou pedir para fazer agora”, finalizou.
Operação Perfídia
A operação teve início a partir de uma denúncia recebida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), no ano de 2024, em que os vereadores teriam solicitado vantagens indevidas a um funcionário da empresa responsável pela execução das obras do Contorno Leste.
Além dos vereadores, foram denunciados um empresário e dois funcionários da empresa. Foram cumpridas 27 ordens judiciais, entre elas: busca e apreensão, quebra de sigilo de dados e sequestro de bens (valores e imóveis).
Uma parte dos valores foi depositada em conta indicada por um dos vereadores, e há indícios de que a outra parte tenha sido paga em espécie ao parlamentar, no interior de seu gabinete na Câmara, onde as negociações teriam ocorrido.






















