Idealizado pela atriz e pesquisadora Ana Carolina de Mello, o projeto foi contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) no edital Viver Cultura – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab).
“Este projeto é resultado da ideia de montar um espetáculo que valorize a simbologia do nosso território, além de viver esse processo como um ritual de iniciação na palhaçaria de terreiro”, destaca Ana Carolina.
Intitulada “Palhaçaria de Terreiro”, a residência artística é um processo de imersão que oferece tempo, espaço e condições para que artistas possam pesquisar, criar e desenvolver seus projetos. O foco está no processo criativo e na construção coletiva.
O resultado final dessa experiência imersiva será o espetáculo “Floresta e as pedras pelo caminho”, apresentado nos dias 3, 4 e 5 de julho em praças culturais localizadas nos bairros Pedra 90, Parque Cuiabá e Jardim Vitória.
Como parte da programação e das ações formativas do projeto, será também realizada a roda de conversa “Corpos diversos, respeito igual: capacitismo no trabalho cultural”, do dia 30 de abril, a partir das 19h, na Tenda de Umbanda Vó Joaquina de Angola. Aberto ao público, o encontro dialoga sobre inclusão, acessibilidade e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência no campo cultural e será mediado pelo artista e pesquisador Ray Richard.
Da residência artística ao espetáculo
Além de conduzir a residência artística, a maranhense Antonia Vilarinho também será a diretora do espetáculo. Doutora em artes cênicas e com quatro décadas de carreira, sua atuação tem ampliado os caminhos da palhaçaria contemporânea no Brasil, especialmente ao valorizar estéticas e práticas culturais afro-brasileiras e populares.
“Desde que a conheci, se tornou um desejo ser sua aprendiz. O encontro foi um divisor de águas na minha vida, uma peça do quebra-cabeça que faltava, um choque na alma”, relembra Ana Carolina sobre o primeiro encontro com a mentora, durante uma oficina de palhaçaria em São Paulo em 2024.
Criadora da abordagem “Palhaçaria de Terreiro” enquanto metodologia, Antônia Vilarinho propõe uma perspectiva anticolonial da comicidade, integrando corpo, ancestralidade, musicalidade e saberes tradicionais.
“Uma palhaçaria vinculada aos saberes das culturas pretas, especialmente capoeira angola e práticas afro-religiosas. Um caminho ancestral para processos criativos”, explica a pesquisadora que também dá vida à palhaça Fronha.
É esse caminho ancestral com eventuais desafios que a palhaça Floresta, criada por Ana Carolina, pretende trilhar durante seu processo criativo para a concepção do espetáculo “Floresta e as pedras pelo caminho”, uma obra com estética, corporeidade, cantos e ritmos autorais inspiradas no imaginário da cultura popular brasileira de terreiro.
Do diário de bordo à dissertação de mestrado
Se o percurso criativo da palhaça Floresta vai resultar no espetáculo, o percurso da artista-pesquisadora vai resultar numa dissertação. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECCO-UFMT), Ana Carolina de Mello pretende incluir a experiência em seu trabalho acadêmico.
“O processo de montagem irá compor o último capítulo da minha dissertação. A ideia é falar sobre a presença da palhaça na cultura afro-ameríndia e aprofundar na cultura brasileira a partir da investigação do corpo colonizado. E também destacar a Palhaçaria de Terreiro enquanto metodologia e processo criativo de uma palhaça brasileira iniciada com a mestra Antônia”, revela.
Como parte da pesquisa, Ana Carolina tem registrado num diário de bordo todo esse processo de iniciação na palhaçaria. O diário com a experiência na residência artística até a concepção e apresentação do espetáculo será publicada nas redes sociais da atriz e da palhaça a partir de maio em formato de vlog.
(Com informações da Assessoria)





















