Iniciativa do Instituto Rumo leva capacitação às organizações e mobiliza empresas para ampliar o alcance das leis de incentivo nos territórios
Fazer com que mais recursos das leis de incentivo cheguem a projetos desenvolvidos em Mato Grosso é a meta do Programa Incentivar. Com essa visão, a Rumo, por meio do Instituto Rumo, reuniu organizações sociais, representantes do poder público e empresas locais na primeira agenda presencial do programa no estado em 2026. Nos dias 2 e 3 de setembro, cerca de 90 pessoas participaram das atividades que orientaram as organizações sobre a elaboração de projetos e o acesso aos recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, além de dar oportunidade para que empresas locais também conhecessem formas de apoiar iniciativas próximas.
Criado em 2025, o Programa Incentivar nasceu da escuta de organizações sociais e conselhos municipais que buscavam acessar recursos incentivados da Rumo. A partir dessa demanda, foi identificada a necessidade de fortalecer a elaboração dos projetos para que atendessem aos requisitos das leis de incentivo. A resposta foi a construção de uma trilha formativa, com conteúdo, mentorias especializadas e acompanhamentos técnicos.
Segundo a coordenadora do Instituto Rumo, Tatiana Montório, a iniciativa está relacionada à forma como a companhia compreende sua presença de longo prazo nos territórios em que está inserida.
“A Rumo é uma empresa de logística ferroviária, com concessões de 30, 40 anos. E, quando chegamos a um território, é fundamental que a gente construa relações com esse território e que a riqueza gerada pela companhia seja circulada, descentralizada e compartilhada. A gente só prospera enquanto companhia se o território prosperar conosco”, afirmou.
Investimento nos territórios mato-grossenses a partir da capacitação de organizações
Realizada no auditório da Arena Pantanal, a primeira etapa do Workshop do Programa Incentivar contou com o apoio do escritório estadual do Ministério da Cultura e do Comitê de Cultura de Mato Grosso, coordenado pelo Instituto Mato-Grossense de Desenvolvimento Humano (IMTDH). A formação “Rouanet na prática” apresentou o funcionamento da Lei Federal de Incentivo à Cultura e orientou os participantes sobre estruturação e inscrição de projetos, captação, execução e prestação de contas, além do uso do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).
“A ideia é que as organizações aprendam, na prática, como escrever, quem pode participar e como fazer todo o preenchimento. Depois, o Comitê também pode acompanhar e ajudar essas pessoas nas inscrições”. A explicação é da coordenadora-geral do Comitê de Cultura de Mato Grosso, Vanessa Jacarandá.
Um resultado concreto desse trabalho foi apresentado pelo Instituto Brasil, de Várzea Grande, uma das primeiras organizações de Mato Grosso contempladas pelo Programa Incentivar. Após participar da formação, a instituição estruturou sua proposta e teve acesso aos recursos. Durante o encontro, o gestor de projetos Wanderson Magalhães Farias compartilhou a experiência.
“Para nós, é muito importante ser uma das primeiras organizações de Mato Grosso contempladas pelo Programa Incentivar. A formação trouxe elementos teóricos e experiências práticas que contribuíram para construirmos uma proposta e conseguirmos o aporte de recursos pela Lei de Incentivo à Cultura”, destacou Wanderson.
Em 2025, o Instituto Rumo executou 58 iniciativas em 161 cidades brasileiras, alcançando mais de 1,3 milhão de pessoas. No período, foram mais de R$ 34 milhões investidos em ações sociais. Em Mato Grosso, 84 organizações de 18 municípios estão inscritas no Programa Incentivar 2026.
Presente na programação, o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, David Moura, defendeu a continuidade do suporte às organizações, inclusive com a possibilidade de uma estrutura presencial em que agentes e entidades possam buscar orientação para desenvolver projetos e esclarecer dúvidas.
“Seria transformador ter um espaço onde a pessoa saiba que pode chegar com uma dificuldade e encontrar alguém para ajudar. Precisamos enxergar as possibilidades que vão além dos nossos editais e dos recursos do Estado, utilizando também as leis de incentivo para crescer e ampliar o impacto dos projetos”, afirmou o secretário.
A coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura em Mato Grosso, Lígia da Silva Viana, também ressaltou a importância da formação e da presença das instituições nos territórios para ampliar o acesso aos mecanismos de incentivo.
“Nos municípios em que o Instituto Rumo está presente, temos projetos maravilhosos acontecendo. A gente tem muito o que conversar e construir para ampliar esses investimentos no território”, afirmou Lígia.
Mais empresas participantes da rede de incentivo aos projetos locais
No segundo dia de formação, a discussão avançou para quem pode incentivar esses projetos. Realizado na Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT), o encontro colocou em debate como o setor empresarial pode ampliar a destinação de recursos para atender iniciativas desenvolvidas no próprio estado. A proposta parte de uma experiência que a própria Rumo já desenvolve onde atua. A companhia destina recursos incentivados para projetos sociais, culturais e de outras áreas, mas a demanda vinda das organizações locais é sempre maior do que a capacidade de investimento de uma única empresa.
“A gente tem mais de 80 organizações participando do Programa Incentivar em Mato Grosso, e os recursos da Rumo são limitados. Então, a ideia é trazer empresas que já investem por meio das leis de incentivo e aquelas que ainda não utilizam esses mecanismos, para ampliarmos essa rede e fazermos com que mais recursos cheguem aos territórios que precisam”, detalhou a coordenadora do Instituto Rumo, Tatiana Montório.
A necessidade de mais articulação também foi demonstrada pelos dados apresentados pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE). Em 2025, Mato Grosso respondeu por apenas 0,4% dos valores apresentados e captados pela Lei Rouanet, apesar de representar 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 1,8% da população. No ano, foram captados R$ 12,6 milhões por 49 projetos no estado.
Para a gerente de Articulação e Incidência do GIFE, Pamella Canato, os números não indicam falta de boas iniciativas ou demandas locais, mas diferenças nas condições de acesso aos recursos.
“Não existe descentralização de recurso sem descentralização de capacidade. É preciso fortalecer as organizações locais, suas equipes, sua sustentabilidade e suas redes, reconhecendo também o conhecimento que possuem sobre o território”, destacou Pamella.
Programa Incentivar
O Programa Incentivar 2026 – PRONAC nº 2513669 é um projeto aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Rumo e do Instituto Rumo, coordenação da Elo Social e realização do Ministério da Cultura.

















