O vereador reeleito Marcus Brito (PV), de Cuiabá, teve seu sigilo telefônico quebrado durante investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre um esquema de corrupção envolvendo agentes públicos da cidade. O caso está relacionado a suspeitas de flexibilização de fiscalizações em casas noturnas ligadas ao Comando Vermelho, uma facção criminosa.
A quebra do sigilo foi autorizada por 15 dias pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Em sua decisão, o magistrado justificou a medida como necessária para aprofundar as investigações, uma vez que o nome de Brito foi citado repetidamente em conversas de ex-funcionários da Câmara Municipal de Cuiabá, que são réus na primeira fase da Operação Ragnatela, deflagrada pela PF.
Esquema
De acordo com a investigação, a Polícia Federal começou a monitorar as conversas após uma denúncia anônima que apontava envolvimento de líderes do Comando Vermelho, como o criminoso conhecido como “Jogador”, no esquema de lavagem de dinheiro por meio de eventos em casas de show. Um dos personagens centrais da trama seria o empresário “Willian Gordão”, associado à facção, que usaria shows de funk em casas noturnas como parte de um plano de lavagem de dinheiro. Para garantir a realização dos eventos sem riscos de interdição, os responsáveis pelos estabelecimentos estariam sob pressão para evitar fiscalizações pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Em conversas interceptadas, o ex-funcionário da Câmara Rodrigo Leal e Jardel Pires, outro réu da operação, discutem a necessidade de apoio político para impedir que o Ministério Público Estadual (MPE) suspendesse o evento “Baile da Carreta Treme-Treme”, que seria realizado em uma dessas casas noturnas.
A investigação revelou que Jardel buscou apoio dos vereadores Marcus Brito e Paulo Henrique de Figueiredo, também citado nas escutas telefônicas, para tentar influenciar as fiscalizações. No entanto, apesar da tentativa de manipulação, o evento acabou sendo fiscalizado por agentes que não faziam parte do esquema, frustrando as tentativas dos envolvidos.
Operação Ragnatela
Esse desdobramento faz parte da Operação Ragnatela, que investiga práticas de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro em Cuiabá. A operação já resultou na prisão de diversos envolvidos e continua com o objetivo de desmantelar a rede de favorecimento político e empresarial ligada ao tráfico de drogas e organizações criminosas.
A Polícia Federal segue monitorando outros envolvidos no esquema e aprofundando as investigações, com a expectativa de novos desdobramentos. O caso também levanta questionamentos sobre a relação entre políticos e facções criminosas na cidade, em um momento em que a atuação de agentes públicos em esquemas de corrupção tem gerado preocupação na sociedade e nas instituições.
O vereador Marcus Brito, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre a quebra de sigilo e as acusações que envolvem seu nome. As investigações seguem em andamento e novas informações podem ser divulgadas nos próximos dias.






















